os olhos perderam o brilho natural, o lábios secaram com o tempo, o corpo morto pela alma ter ido embora, como vento, como folha seca no outono...seca se foi.
e não houve perdão, simples e fatal sem precisar de dois golpes[...]
e eu ainda estou sentado no banco desta praça, dando comida a os mesmos pombos, respirando o mesmo ar, e esperando o mesmo: você passar, e me fazer lembrar de sorrir.
sei até que o tempo já me levou a beleza, me levou toda a alegria e a mudança de rotina, ainda me levou você. Se o frio vier com o vento, eu poderei ir sem revê-la, sem sentir a sua mão esquentando a minha, eu sei que voltará querida, eu sei.
e mesmo que eu vá, na insistência de buscar o teu sorriso, morreria feliz, por estar aqui dentro de um poço de escura solidão, morreria pelos próprios pombos talvez, morreria pelo mesmo ar, e talvez até pelo mesmo você.
e veio o frio, com o vento e os levou...simples e fatal sem precisar de dois golpes...
domingo, 15 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
vícios
quanto aos vícios, sempre os achei controláveis. agora eu quero, amanhã eu enjoarei, depois de amanhã não restará sequer a lembrança antes tão tangível. quanto aos vícios, nunca os achei realmente necessários. passatempo que faz o tempo passar mais rápido quando tudo o que se quer é que o tempo passe lentamente enquanto ainda existe o efeito. o tempo passa devagar até a próxima dose (que rezo para ser a última). quanto aos vícios, eu conheci a nicotina, a cafeína, o álcool, o pó. e me apresentaram você.
domingo, 1 de novembro de 2009
a aceitação da realidade se torna os meios que justificam os fins
Eu conheci um garoto, na época da escola, que queria ser músico. Eu sempre o ouvia dizer que só tocava para aprender a compor. E que ele ainda escreveria uma música capaz de tocar o coração de todos.
- Eu ainda vou fazê-los sentir como se o coração estivesse pra fora do peito. Aberto para que todos possam ver a alegria fluir junto com a minha música. O coração pra fora do peito.
Um dia, seu talento foi reconhecido, e Daniel recebeu um convite para ir aos Estados Unidos estudar. Eu me perguntava o que tinha acontecido com ele. Encantou-se pelo mundo de lá? Casou-se? Americanizou-se?
Reencontrei meu amigo Daniel na Alemanha. Ele se tornara um grande maestro, respeitado em todo o Velho Mundo. Ele me mostrou sua casa, seu piano, seu Stradivarius, seus gatos, sua bicicleta, sua adega. Eu me sentia um liliputiano no mundo dos verdadeiros homens.
Olhando bem para Daniel, ele estava magro, abatido, cansado. Não tinha esposa, filhos ou amigos que lhe valessem a pena. Sua agenda estava lotada pelos próximos 6 anos. Ele era um prodígio musical internacionalmente reconhecido, e era solitário. Daniel dedicou sua vida inteira a música. Foi aluno brilhante, foi professor, foi solista e maestro. Se apresentou por semanas ininterruptas, tendo um ou dois dias para respirar.
- Daniel, em 30 anos estudando, ensinando e dirigindo, você conseguiu realizar seu sonho?
-Eu gostaria de dizer que sim. Gostaria de dizer que gastei minha vida inteira para estar mais próximo de criar uma música capaz de tocar o coração das pessoas. Ou que, ao menos, morrerei sabendo que deixei ao mundo um aluno que será capaz de fazê-lo, graças a mim. Mas estou tão perto de compor essa música quanto estava 30 anos atrás. Na verdade, talvez eu esteja até mais distante.
- Eu ainda vou fazê-los sentir como se o coração estivesse pra fora do peito. Aberto para que todos possam ver a alegria fluir junto com a minha música. O coração pra fora do peito.
Um dia, seu talento foi reconhecido, e Daniel recebeu um convite para ir aos Estados Unidos estudar. Eu me perguntava o que tinha acontecido com ele. Encantou-se pelo mundo de lá? Casou-se? Americanizou-se?
Reencontrei meu amigo Daniel na Alemanha. Ele se tornara um grande maestro, respeitado em todo o Velho Mundo. Ele me mostrou sua casa, seu piano, seu Stradivarius, seus gatos, sua bicicleta, sua adega. Eu me sentia um liliputiano no mundo dos verdadeiros homens.
Olhando bem para Daniel, ele estava magro, abatido, cansado. Não tinha esposa, filhos ou amigos que lhe valessem a pena. Sua agenda estava lotada pelos próximos 6 anos. Ele era um prodígio musical internacionalmente reconhecido, e era solitário. Daniel dedicou sua vida inteira a música. Foi aluno brilhante, foi professor, foi solista e maestro. Se apresentou por semanas ininterruptas, tendo um ou dois dias para respirar.
- Daniel, em 30 anos estudando, ensinando e dirigindo, você conseguiu realizar seu sonho?
-Eu gostaria de dizer que sim. Gostaria de dizer que gastei minha vida inteira para estar mais próximo de criar uma música capaz de tocar o coração das pessoas. Ou que, ao menos, morrerei sabendo que deixei ao mundo um aluno que será capaz de fazê-lo, graças a mim. Mas estou tão perto de compor essa música quanto estava 30 anos atrás. Na verdade, talvez eu esteja até mais distante.
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