Olhe a sua volta, tudo o que te rodeia, seus livros, CDs, roupas, objetos, cores, sabores, amigos, prazeres, preferências, gostos, amores, medos e desprazeres, tudo isso, de uma forma ou de outra, é uma espécie de ideologia. Seu gosto não é individual, com toda essa globalização, essa internacionalização de culturas, tudo aquilo que você escolhe, de alguma forma, foi escolhido para chegar até você, para te agradar, te conquistar.
E isso não é tão ruim quanto parece. O preconceito com ideologias também já se tornou algo ideológico, todos odeiam o senso comum, essa manipulação que os ‘fracos’ sofrem. Mas na realidade, isso também se tornou algo pré-estabelecido. O preconceito é tolo, é um conceito prévio que se adquire por senso comum. E existe “pré-conceito” mais tolo do que aquele de ser contra aquilo que você segue sem perceber?
A realidade que ninguém quer admitir, é que todos precisam de uma ideologia para seguir. Tudo aquilo que agrada multidões sem gerar dúvidas ou contestação é errado, mas quase toda a nossa sociedade é errada e ninguém parece se importar.
Atualmente, quase ninguém segue uma ideologia sem perceber o que está fazendo. O pós-modernismo criou uma necessidade de ilusões até então desconhecida. Descobriu-se que todos os objetivos de vida que antes seguíamos, na verdade eram falsos. Não há motivos para se ter uma vida pura e regrada, se não existe Deus ou paraíso eterno no final de tudo isto. Então qual é o real objetivo de se viver? Essa foi a grande pergunta dos últimos séculos. Então veio o Capitalismo com uma nova ideologia. E essa ideologia, essa ilusão, essa mentira doce e perfeitamente aceitável se tornou a verdade absoluta. Dinheiro virou necessidade. E para se ter dinheiro, era necessário abrir mão de todos os valores pré-estabelecidos, essa nova necessidade humana estava acima do caráter e da ética, estava acima de qualquer preceito ou idealização. Mas ninguém notou que isso também era uma ideologia, todos aceitaram, e é assim que vivemos.
Dizem por aí que o capitalismo está com os dias contados, que nossa sociedade vai se rebelar contra essa ideologia chauvinista, que os cegos passarão a enxergar e nenhuma ilusão será mais aceita. Isso também soa ideológico, também soa ilusório, soa como uma fuga da realidade, uma fuga de nós mesmo e de todo nosso egoísmo. Mas é como já dizia Cazuza: “Eu vou pagar a conta do analista, pra nunca mais ter que saber quem eu sou”.
____________
eu tava afim e postar alguma coisa aqui hoje. e as meninas me pediram pra postar esse texto aí. e eu não sei dizer não pra garotas, não é? óÕ
bem, apresento-lhes a redação que me fez reprovar este ano. ^^
e a Crônica de Natal, fica pra amanhã.
feliz natal?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário