sábado, 25 de outubro de 2008

Happy Ending

Matteo nunca entendeu porque sua namorada era tão distante. Ela nunca esqueceu nenhuma data importante, dia dos namorados, aniversário de namoro ou algo assim, mas também nunca pareceu realmente empolgada com tudo isso. Ele lhe dava flores em dias comuns, lhe dava presentes caros e significativos nas datas importantes, a levava pra jantar fora e ter alguma aventura numa dessas pousadas resorts, a levava para uma dessas viagens românticas uma vez por ano. Fazia de tudo por ela, e ela sempre estava contente com isso, mas sempre de uma maneira indiferente. Ele sentia que mesmo que não fizesse nada disso, ela continuaria contente, agindo da mesma forma fria e distante.
Todos os amigos e familiares achavam que os dois tinham um relacionamento perfeito, daqueles que só acontecem em contos de fadas. Ou até mais que isso, já que eles nunca tiveram problemas que tivesse de superar para chegar à um final feliz. Por isso mesmo foi um choque para todos quando receberam a notícia de que a namorada de Matteo havia sumido sem explicação. Ninguém a via há semanas, e Matteo também não tocava no assunto. Diziam até, que a polícia desconfiava que ele a tivesse matado e se livrado do corpo.
Mas isso era uma besteira, sabe? Sequestros e assassinatos não fazem parte de contos de fadas, oras! Numa noite chuvosa, Matteo chegou bêbado e alucinado em casa, as narinas ainda estavam sujas daquele pó branco. E sua namorada nem reagiu, ela mais uma vez agiu como se nada de importante tivesse acontecido. Ele então gritou com ela, sacou um revólver de dentro da calça, encostou o cano frio da arma na testa da namorada e atirou, à sangue frio.
Matteo sequer se sujou de sangue, sua namorada simplesmente virou um coturno.

Um comentário:

Bebertio disse...

eu acho que você deveria fazer um esclarecimento para os leigos como eu sobre a parte do coturno. haha
e... eu espero que essa seja a primeira de muitas crônicas, com coerência.