domingo, 26 de outubro de 2008

Ao honroso Deodoro

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".


Ali estava ela, o amor da sua vida. Quem diria que ele a encontraria ali, no metrô, à caminho do trabalho? Mas não importava, ali estava ela, e ele sabia que seria perfeito e eterno. Ela era simplesmente linda, observando-a melhor, ele começou a perceber todas as coisas que tinham em comum: ela usava um sapato branco, assim como ele, isso tinha de ser um sinal! O jornal que ela lia, tinha na capa uma reportagem em letras garrafais com o nome da cidade natal dele, não podia ser apenas coincidência.
E os olhares que eles trocavam pelo reflexo do vidro da janela indicavam que ela também o havia notado. Ele era o homem mais feliz do mundo, apenas porque tinha encontrado a mulher da sua vida. Além de todas as coincidências e sinais, a blusa dela, era da mesma marca da calça que uma vez ele quisera comprar, não era possível, eles eram alma gêmeas, feitos um para o outro.
Ele não podia mais resistir, cada olhar era um convite para o resto da vida dele, o resto da vida dele ao lado dela, eternamente feliz com a mulher mais linda que ele já tinha posto os olhos, era amor à primeira vista, e ela era perfeita. Então ele decidiu se levantar e ir falar com ela. "Isso, é agora. O começo dos melhores anos da minha vida". É, esse era o momento, ele iria levantar e falar com ela, e tudo se resolveria, como mágica, afinal, o destino havia traçado tudo.
E então ela se levantou e desceu na Marechal, e o mundo acabou bem ali. O amor da sua vida tinha acabo de sair por aquela porta, cada passo em direção à saído foi um punhal enfincado no coração dele. Sua vida nunca mais teria sentido. Era melhor se matar e dar um fim nisso, do que saber que desperdiçara a chance de sua vida. Ele abaixou a cabeça, tristonho, e então olhou pro lado e percebeu que a mulher mais linda do mundo estivera bem ali, olhando pra ele enquanto ele perdia tempo com uma qualquer.

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